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Nosso Livro




Introdução
    Toda moeda tem duas faces. Toda história comporta a verdade e muitas versões da verdade.
    Neste livro, trabalhamos o conhecimento estratégico, o tático e o operacional. Percorremos o espectro de quem precisa planejar,  tomar decisões, gerenciar e agir com base em informações
    A Inteligência é uma atividade milenar que, ao longo dos séculos, adquiriu alma. Capturar – lhe o espírito não é para qualquer um. Dominar suas técnicas, contudo, é possível, mas requer trabalho árduo.
   Captar o sentimento não significa que deva ser movida por ideologia, mas sim comprometida com valores e princípios e ter percepção.
   Assim orientados, pensamos muito para elaborar este livro. Poderíamos estar ensinando métodos e processos a maus usuários, foram muitas as sugestões para que não o escrevêssemos, para evitar isso. Mas, saber que poderíamos, também, estar privando os bons, aqueles que entendem o espírito da Inteligência, de um importante conhecimento, produto de nossa vivência nos levou à frente.
    Aqui está o produto de quatro vidas.
    As vidas pessoais e profissionais que tivemos como oficiais do Exército Brasileiro, que aprenderam o valor  do conhecimento para o planejamento e a decisão, e nossas vidas como operadores de Inteligência- Soldados do Silêncio - e, comprometidos com a verdade no conhecimento que devíamos produzir. Somados, podemos afirmar que existem acumulados mais de 200 anos.
   A complexidade do mundo do século XXI nos motivou.
  O século XX terminou sob a égide da globalização inexorável, repleta de novas oportunidades, assimetrias  e de ameaças não tão novas, mas potencializadas pelas recentes tecnologias e pelas impactantes modificações nas sociedades, nas últimas duas décadas, ainda não suficientemente compreendidas e assimiladas por muitos.
  Governos criam a ilusão de riquezas agindo sobre o meio circulante e os meios de comunicação ajudam a criar a sensação de um grande conto de fadas ou gerar uma hiper realidade que empana juízos de valor adequados.Variações da verdade são hoje mercadoria a ser negociada.
   Os “reality shows” ajudam os espectadores a sonhar e sublimar suas próprias realidades. A grande maioria sonha em ganhar um “big brother”  ou “americam idol” ou ser um famoso jogador de futebol. Ricos e famosos, que não se misturam com pessoas comuns, colhem os benefícios da economia global, enquanto é admirada pela massa que vive de ilusão. Muitas sociedades não perceberam que perderam sua grandeza moral e já se confundiram quanto à ética – imite, falsifique, roube, viva a Second Life, aproveite o que é ilegal,  mas é permitido e barato, curta a vida  -, sintetizam o pensamento geral dominante. Até quando esses valores perdidos poderão ser recuperados?
    Os políticos merecem destaque especial no mundo “pós moderno”. Estão cada vez mais escravos das “pesquisas de opinião“, sem compromissos com ideologias, antes importantes. Talvez os conceitos de esquerda e direita tenham ido por terra, aproximando – se em lides corruptas mais lucrativas. As  tarefas que executam tem muito mais a ver com o que as pessoas querem ouvir do que com os compromissos com o futuro. Vence o político que tem o melhor marqueteiro, aquele capaz de reunir e interpretar maior volume de dados, não de idéias válidas. As questões relevantes foram substituídas por performances idealizadas por especialistas de imagem.  A maioria dos políticos de hoje parecem privados de atributos intelectuais próprios e de ideologias, enquanto dominam a técnica de apresentar grandes ilusões que levam os eleitores a achar que aquelas são as reais necessidades da sociedade.
    Enquanto isso, criminosos globais dominam os mercados do que é ilegal, mas é prazeroso e lucrativo, e o das necessidades do Estado na prestação de serviços necessários à gestão da confusão do mundo, mediante processos envolvendo corrupção. Inclusive o da segurança e o da guerra.
   Um dos atributos mais desejáveis em executivos no mundo hiper globalizado é a capacidade de dominar grandes bases de dados e apresentar soluções que aumentem os dividendos dos acionistas e conquistem uma imagem de responsabilidade social às corporações.
     Nesta conjuntura a humanidade já percorreu a primeira década do século XXI.
    A Inteligência deve imperar na tentativa de auxiliar os bons a dominar esse caos.
    Esse é o objetivo geral deste trabalho.
   O homem sempre buscou segurança para progredir, preservar e acrescentar valores, atualizados ao longo dos tempos. Recorreu ao intelecto para dominar processos que o auxiliassem a desvelar o desconhecido e lhe acrescentasse vantagem sobre seus oponentes. Assim, surgiu a Inteligência.
   Nos capítulos 1 e 2, buscamos na história das atividades de Inteligência e de Segurança o embasamento para o entendimento da alma da Inteligência e da especificidade que deve orientar o pensamento desse profissional e do operador de segurança.
  Nos capítulos 3 e 4, empreendemos a busca pela compreensão da sinergia que deve existir entre ambas as atividades e  pelo entendimento de que o conhecimento pode conceder à segurança a dinâmica imprescindível ao enfrentamento da volatilidade das ameaças atuais. 
   Os capítulos 5, 6, 8 e 10, trazem os conhecimentos necessários a operar os processos de Inteligência com foco na segurança para o século XXI. Pode – se afirmar que eles são mais técnicos, mais ao gosto dos operacionais.
  A tecnologia atualmente é fator crítico de sucesso em qualquer atividade. Sua atualidade e permanente atualização são fundamentais para o êxito em Inteligência e Segurança. No capítulo 9, tratamos de seu uso em ambas as  atividades.
   A segurança pública, atualmente, é um dos grandes desafios impostos pelas sociedades aos governantes. Deve ser um propósito com pressuposto básico no direito do cidadão. Da mesma forma que a sociedade exige segurança, pois entende ser seu direito natural, também contribui em grande monta para a insegurança, por ações e omissões. Assim, no capítulo 11, é desenvolvido o papel da Inteligência na Investigação Policial. Mas, ele não deve interessar  somente aos policiais ou operadores de segurança pública, mas também aqueles que atuam no espectro cada vez mais amplo da segurança privada.
  Finalmente, é fácil perceber aos observadores atentos que o mundo vive crises permanentes. E crises são administradas e solucionadas pelo uso de conhecimentos úteis e oportunos.  No capítulo 12, estão metodologias de mediação de conflitos com uso de Inteligência.
   Este livro não deve interessar apenas aos operadores de Inteligência e de  Segurança, mas a todos aqueles que precisam trabalhar em situações  de turbulência e entender que a gestão de realidades conjunturais, com foco na construção de futuros, só pode ser conseguida com o uso de processos de geração de conhecimentos; bem como ao público que deseje conhecer mais a respeito da vetusta, mas útil atividade.
   Esperamos ser úteis aos bons!